Autor: Valdemir Klamt
Poema: Jerônimo

 



Jerônimo atravessa, na noite, o corpo das estrelas
e furta os ases de espada do ajo distraído.
Caminha até o ponto em que existe só silêncio.
Urina longamente.
Gosta de sentir seu pênis que de tão imenso,
é quase sem serventia.
Quando o universo cansa de assisti-lo e enche-se
de beleza do homem, quase sempre amanhece.

Jerônimo tem destino de acordar em algum abismo.

Em dias de chuva, um diabo o persegue.
Diabo com olhos de ferro e mãos de aço escovado.

Jerônimo tem pleno desconhecimento de si.
Se pedra, se poste, se promessa de flor, se inutilidade.
Não distingue espoleta de estilingue.

Quando cai a névoa seus pés têm costume
de crescer para a inércia.

Brota na altura do ventre um ovo de casca amarela.
Jerônimo engravidou.