“Se tenho gosto, é quase só
pela terra e pelas pedras.
Meu almoço é sempre o ar
a rocha, o carvão, o ferro”
(Arthur Rimbaud in Uma temporada no inferno)
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HÁ UM VASO SANITÁRIO SOBRE A MESA
mas ninguém puxa a descarga
porque no cinema mudo da metrópole
a síndrome do esquecimento não está na tela
e sim nos ouvidos e olhos que moram no ventre
o reconhecimento pelo tato é insuportável
e as cadeiras comunicam ao mastigar matutino
que tudo foi um engano
pois o afiar da faca nos dentes não previa prótese
enquanto o aumentar do volume dos talheres
anuncia a pressa das imagens
todos correm para buscar pernas mecânicas
e um louco de pedra pintado a carvão
faz malabarismos entre os fios elétricos
passando de um poste a outro aos berros
pedindo que todos levem a valsa do casamento
unida às primeiras noites de sexo para suas casas
porque as igrejas e as prostitutas serão exterminadas
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