“Eu sou a coisa, coisificada”
(Drummond In Corpo )
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a cerca de arame farpado
onde antes dependurávamos nossas roupas
segura todos os fantasmas
e balança sem nenhum pudor
a arqueologia do homem
com seu fóssil estéril transformado em espantalho
e o susto provocado não mais atinge
a fronte, a alma e o corpo
porque os delitos estão minimamente incorporados
aos transitórios passos dos prédios que avançam
o mar, o céu e se incrustam terra adentro
acidulando as ruínas de ossos com a firmeza
de um metal manipulado nos hospitais
para manter o caminhar parafusado de um homem
que com seu olhar de vidro
não sente a agulha fincada na retina
nem sabe qual será a próxima amputação
assim com os seios queimados por xepas de cigarros
barriga cavada com espátula cabelos em chamas
uma navalha enterrada no sexo
e toda a espécie de estocada
jaz na esquina dependurado num poste um corpo estóico
e todos se divertem com a malhação do Judas
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