Autor: Marcelo Steil

Poema: Cais Tornado Steil

 


mesmo ao longe
na distância das curvas

de um rio que água
há tantos saltos

ante a palavra propósito
quais seriam seus gestos?

o carvão da vontade
é um túnel entre nuvens

ou pingo de luz
na negra esfera

deixando em mim uma fuga
como nos quartetos de Bach

quando objetos tornam-se nulos
em busca de assombros

vejo-me tornado nos contrários
oposto dos esboços

-- ouve a própria ruga
no galope do ferro

-- ouve o brilho da estrela
refletida na vaga

há um passo de um barco
meus passos passam

em cais tornado
a paisagem-deserto