c’os pêlos do pincel
o pintor pintou-se igual
ao sonho que tivera
quando foi-se o carnaval
riscou rude na calçada
com o caco duma telha
o nome da moça amada
horas depois de perdê-la
e esculpiu no próprio punho
com estiletes de inverno
o aroma do deserto
que ficou entre seus gestos
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