Autor: Fernando José Karl
Poema: Rosas

 


Não aos naufrágios, não à morte,
que tinge de nada nossos lençóis.
Sim aos sóis, e há tantos
e se aprofundam em nossas águas.

Não fui sonhado para a eternidade.
Disso eu sei e com certa amargura.
Fui sonhado para ser o sonhador
de certa matéria absurda e diamante.

Disso eu nada sei --- de estar aqui.
E quase me iludo com esse chumaço
de rosas nas vértebras, rosas nunca criadas

por mim --- mim --- a mais absurda
das carnes e que arde paraísa chama
e sonha em ser nunca a morte, mas as rosas.