Havia um renque de árvores que sombreava
o travesseiro de pedra entre moluscos febris.
A gosma deles imprimia à pedra
um soneto cristalino e fluvial: canoa singrada.
Pórticos quebrados e nuvens sem arcas d’ouro.
Lágrimas manchavam o manto de linho:
memória do espinho ou do fracasso
de estar vivo entre objetos.
No espelho do rio flutua o renque de árvores.
Somos árvores (quiçá diamantes)
e em nossa cara de pergaminho a loucura.
Olhos sombrios de verão
meditam se soubessem meditar
sobre o travesseiro de pedra.
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