I
antes mesmo do ronco,
da corrente que enguiça
a mola da mente;
o ferrugem a banguela - a feia
esta que foi, é e lambe o chão
onde cospem os homens
que a modorra carcome
esta sim
aquela que abre a carne mole da gengiva
para passar uma ponte
um gato com rato na boca
uma boca de lobo
tentei ainda, tentamos
antes ainda do ranger de dentes
quando os pedalins ainda eram cataventos
lá, nesse lugar que é bueiro
mesmo lá havia brisa
onde a praça onde dança a feia?
onde o morro atropelado de teobaldo?
antes ainda
tento lançar minha âncora
fincar o dormente
porque antes do mar da ponte da feia da praça
antes da catinga daquela cinza
fuligem em volta do corpo
antes (onde estávamos?)
um abalo sísmico
o dormente é o antes
o lugar ainda da partida - a ilha
o ferrocarril da mordedura exata
anda rapaz diz o nome dela
ó seo, a feia!
então, necessário o retorno.
volto ao inferno
desço a memória q agora achatada;
escadaria longa
junto tudinho
guardo em cada greta. sob o velo:
um veloson, risada rondando a cara
em cabotagem a caixa craniana
é baile de marimbondos
lá crescem heras
onde, onde crescem heras (?) por todo corpo da ponte
sobre a gengiva da feia
o corpo todo da feia:
o ornamento ganha enfim a fonte, a feia, a falta
a noite ao avesso
buscava um corpo para habitar.
II
ainda era tudo depois
depois do ronco e da queda
depois do susto e da fenda
depois do rosto, a ruga.
viste já umarruma, na tez da noite?
é assim:
um fio de descarga
um sonho com um galho na mão
procurando água no poço
pulmão
aquela cara falava comigo
ele:
um olho maior que o outro
um raio
dizia
“a poesia não está nisso”
nessa pressa
nessa prece
de engolir em seco.
outro rumor
sob a pele da carta virgem
alí ó – olha!
duas bicicletas
pedalando forte sobre a ponte
esse outro ruído não são dentes
são pneus descolando do asfalto molhado
como páginas dos dedo
a língua do letes
na luz, no oeste.
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