Autor: Cristiano Moreira
Poema: As Cavernas do Barco

 



I

As cavernas parecem sustentar o céu
Erguidas
não invertidas;
              Ou ainda não
porque cavernas
de bruço são contrários
do escuro, é claro

Mas as cavernas
da embarcação
são - mesmo
o próprio puzzle
por ser vertebrado

todo montado em peças


II

O carpinteiro risca tábuas
aprende geometria na fabricação dos barcos
o pó do ipê
cobre o pé
co-
p
o d’água para limpar a goela
no banho
a madeira desce líquida e amarelada do corpo
farpas sob as unhas
nódoas púrpuras
decoram dedos...

dor e cansaço são magias que fazem
flutuar as embarcações