Autor: Cristiano Moreira
Poema: O Primeiro Poema Para Um Velório

 

Para Leopoldo Bloom




andar assíduo como Torquemada
e seu cão nas ruas da noite
e lembrar os avós de Cervantes
a mão amputada
a mulher que dança no arranha-céu

                a turba túrbita.
                a turba na frente da casa
                perturba olhos nas venesianas

turva o som decantado
na epiderme ciliada
dos ouvidos.

andar perdido como o Fidalgo
desaparecer como artaud
dissimular como kandinski
deslocar como ducasse
                como ducasse
                me caducasse
                comunicar-se

apenas em pantomimas.
é o que cai melhor na noite
e agrada os olhos por de trás dos vidros

um flaneur acostumando-se
ao mármore da cara do cara que vai visitar.