Autor: Antonio Carlos Floriano
Poema: Noêmia

 

Pelo seu olhar anêmico
Passaram cavalos e reis
Debruçada na janela
Fazia em corpo e alma
Um conjunto com a natureza

Pobre Noêmia
Nunca foi a Roma ver o Papa
Nem em excursões ao Paraguai
Nem a festas, nem motel

Noêmia nunca raspou a perna
Nunca usou meias de seda
Ob, pílula anticoncepcional
O seu universo era a janela

Pena que Noêmia tenha morrido de dia
Tivesse morrido à noite
Teria virado estrela