Autor: Antonio Carlos Floriano
Poema: Manhã

 

Essa manhã passei em Tóquio
Manhã em que um vento frio
Come o outubro
E o mundo reorganiza suas enormes digitais

Deus deve estar rindo
De minha inútil matéria
De quanto tempo perco
Espionando essas pessoas

Talvez até hoje espere um aceno
Na estação de trem
Um aceno de ninguém

Esse amontoado de olhos
A consumir as janelas
Dos expressos silenciosos
A caminho da manhã

Partem como a primavera
E ainda fico à espera
De uma pequena palavra
Um desejo de bom dia

A hora passa na manhã vazia